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Condenada a 41 anos é bicampeã do miss cadeia

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Dione desfilou com desenvoltura (Foto: Lucíola Villela/G1)

A presidiária Dione Normando Pires, 26 anos, que cumpre pena de 41 anos em seis processos por roubo de cargas, foi a vencedora do VI Concurso Garota Talavera Bruce, eleita na tarde desta terça-feira (24), no Complexo Penitenciário de Gericinó, na Zona Oeste do Rio. É a segunda vez que ela vence o concurso. O primeiro título foi em 2007.  Veja galeria de fotos

“Descobri que para vencer basta querer. Aprendi muito aqui dentro, inclusive isso. E quero sair com a cabeça erguida. Todo ser humano erra. Mas, se até os animais podem ser reeducados, por que a gente não pode ter uma chance?”, diz Dione, que promete reencontrar o caminho do bem quando reconquistar a liberdade.

Sonho de liberdade Aliás, a palavra liberdade é sinônimo de sonho de todas as detentas. Para elas, o reconhecimento de que adquiriram a capacidade de ter mais uma chance na sociedade é o maior prêmio que esperam conquistar.

Por isso, contam suas histórias, admitem seus erros, mas sempre tendo o cuidado de não exibir uma postura de que o respeito que possuem lá dentro foi conquistado pelo crime que praticaram.

“Quero ser feliz, descobrir o mundo, mas não quero nada que me faça ter qualquer ligação com a criminalidade”, diz, em tom confessional, a candidata Jéssica Borges, 23 anos, que cumpre pena por tráfico de drogas.

Jéssica é uma das cinco mulheres escolhidas pela advogada e cineasta Geysa Chaves para o documentário “Se eu não tivesse amor”, previsto para ser lançado no próximo ano.

Mulher da quadrilha de Tota No filme, além de Jéssica, Geysa vai contar a história da vencedora do concurso, Dione; de Luciana Campos, acusada de ter sido a única mulher da quadrilha do traficante Antônio José de Souza Ferreira, o Tota, do conjunto de favelas do Alemão; da francesa Jenifer Claud Salagnac, presa no Aeroporto Tom Jobim com 25 quilos de cocaína; e de Jaqueline Rodrigues, a Lady, que ganhou esse apelido pela elegância que se vestia quando assaltava lojas de jóias.

Mas, voltando à história de Jéssica. No ano passado ela ficou em segundo lugar no concurso, e desta vez não teve a mesma sorte. Mas foi consolada pela companheira, Lina Célia, 40, que conheceu em 2006. Elas querem morar juntas quando saírem da prisão e já fazem planos.

Sequestro do pai do Romário “Queremos fazer faculdade de gastronomia e montar um restaurante”, conta Lina, que já foi casada duas vezes e espera ter a compreensão dos filhos, uma jovem de 20 anos e um adolescente de 12.

“Já cumpri dois terços da pena, estou pagando pelos crimes que me acusaram e tenho o direito de ser feliz quando sair daqui”, afirma. Lina foi presa sob a acusação de participar da quadrilha que sequestrou o pai do jogador Romário, “seu” Edevair, em 1994, pouco antes da Copa do Mundo. Ela se defende:

“Eu era viciada em cocaína e fui levada para uma festa que era no cativeiro do pai do Romário. Não sabia de nada. Quando cheguei lá, atraída pela droga, ele já estava sequestrado. Só descobri que era o pai do jogador depois que vi no plantão da TV e ele me falou: sou eu’”. Sambista do Sargentelli A segunda colocada do concurso foi longamente aplaudida pela plateia. Com muito carisma, elegância e uma simpatia espontânea, Erilaine da Silva Innocente, 47 anos, está presa por estelionato e diz que sua defesa está no próprio nome.

“Passei minha vida trabalhando em shows de mulatas pelo mundo inteiro. Aprendi a falar oito idiomas, conheci muita gente e, de repente, apareceu um mandado de prisão enquanto eu estava no Canadá. Dos nove processos, em cinco eu estava fora do país. Fui confundida com outra pessoa e ainda vou provar minha inocência”, garante ela, que, no presídio, ensina o segredo do samba para as colegas detentas e se gaba de ter sido uma das preferidas de Sargentelli. O concurso Garota TB é promovido pela Secretaria de Administração Penitenciária (Seap) e tem o objetivo de resgatar a auto-estima das detentas, combater o ócio e fortalecer a integração da mulher que cumpre pena.

Foram inscritas cerca de 120 internas das unidades Joaquim Ferreira de Souza, Nelson Hungria e Talavera Bruce, mas apenas 11 desfilaram nos trajes passeio e gala para uma plateia empolgada.  Leia mais

Fonte: G1.com.br

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